Hoje é Dom 16 Dez, 2018 5:10 pm

Nova estória... Haras Hostel!

Escreveu algo ou tem algo bom pra indicar? O espaço é esse.

Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Dom 10 Fev, 2013 12:43 am

Esta será uma publicação diferente. Serão várias pequenas estórias, vários pequenos capítulos que contarão a história de um cara que abriu uma pousada para evitar que ela fosse derrubada pela prefeitura, e as implicações advindas dessa decisão.
Não precisa ter lido qualquer publicação de Fur And Skin, mas dar uma passadinha de zóio, assim como quem não quer nada, ajuda muito a entender alguns conceitos.
Ao contrário dos contos anteriores de Fur And Skin, esse se passa na Terra.


Haras Hostel – Sinopse

“Antigamente, aqui era um haras. Um haras, para quem não sabe, é uma fazenda onde se cria cavalos de raça, daqueles bem caros... Este haras era muito conhecido, seus cavalos eram os mais premiados. E os mais caros.

“O que aconteceu? O dono morreu, e não tinha nenhum parente próximo. Então, a Prefeitura tomou posse do lugar. Vendeu os cavalos para quem quisesse comprar – Um comprador italiano levou todo o plantel – e a estrutura ficou intocada.

“Até resolverem instalar um bairro novo onde era o haras.

“Foram derrubando estruturas, currais, cercas, enfiando postes... Até o riacho foi “concretado” pra servir de saída de esgoto. Só sobrou a Casa Grande do haras, e a prefeitura iria passar o trator por cima dela, também.

“Para preservar um pedaço da história daquele que um dia fora o orgulho da cidade, eu fiz um acordo com o prefeito, e fiz um financiamento. E comprei a Casa Grande.

“Era o dinheiro de toda a faculdade que eu iria fazer. Adeus, viagens a Londres, Mestrado em Cultura Celta, visita a Stonehenge, e todas as coisas que eu planejava fazer na Europa. Olá, Pousada do Haras.

“Para evitar que engolfassem minha grana e passassem o trator por cima do mesmo jeito, me mudei de mala e cuia para a – Agora – Pousada do Haras, e abri a casa para hospedagem.

“Os
ooza de Tabax vêm aqui com freqüência, com certeza encontrarão aqui um lugar legal, e com a cara deles.”

Um antigo haras torna-se uma pousada. Salomão (Prefere ser chamado de Sal), quando criança, sempre sonhou em visitar a Casa Grande, o que só pôde fazer agora, aos 30, e ironicamente, comprando-a. Resolve preservar a história do haras e ganhar uma grana com a pousada. Os ooza de Tabax gostam de bucolismo, e o pouco que restou do quintal abriga algumas coisas do antigo haras, inclusive um enorme aro de ferro, disposto na vertical, no qual vinhas se entrelaçam e o envolvem.

Sua primeira hóspede, por ironia absoluta do Destino, é uma ooza equina. Zanmera Tangmus é uma jornalista que escreve sobre o planeta dos suywan, como os ooza chamam a nós os humanos.
Mal sabia Sal, que suas próximas hóspedes seriam ainda mais esquisitas...

Se alguém se interessar, posso começar a postar.
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Jibaku-san em Dom 10 Fev, 2013 11:13 am

Vai continuar postando ou eu tenho que te dar um sacode para te convencer? {cat:lol}

Continua Snow!
ImagemImagemImagemImagemImagem
Avatar de usuário
Jibaku-san
Guru
 
Mensagens: 2766
Data de registro: Dom 16 Ago, 2009 12:47 pm
Localização: Rio de Janeiro, capital, Bento Ribeiro [continua no meio do nada]

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Berserker em Dom 10 Fev, 2013 1:54 pm

Continue! NOW! >:V
ImagemImagemImagemImagem
"Jeg reiser til mørkets dyp der alt er dødt."
Kaimadalthas Nedstigning - Burzum
Avatar de usuário
Berserker
Militante
 
Mensagens: 439
Data de registro: Qui 14 Out, 2010 6:04 pm
Localização: Piracicaba/SP

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Dom 10 Fev, 2013 3:52 pm

“O que é um ‘haras’?”

“Meu nome é Salomão de Brito Filho, mas prefiro que me chamem por “Sal”, que é o meu apelido. Acabei de receber a escritura da Casa grande do antigo Haras, que iria ser transformada em monte de entulho pela Prefeitura, mas fiz um acordo com o Prefeito para evitar o desperdício. Afinal, é uma casa bonita, grande, espaçosa, e me saiu por uma pechincha. Mesmo assim, tive que dar adeus à minha faculdade em Londres, para preservar a História deste lugar que já foi símbolo da Cidade. Como as coisas mudam...

“Na casa, eu recolhi os restos mortais do Haras – Qualquer coisa que o lembrasse – e coloquei no quintal dos fundos, sendo que duas estátuas de cavalos já adornavam o quintal da frente, e aquele estranho pórtico redondo de ferro, coberto por vinhas, adornava os fundos. Só precisei colocar uma cerca, afinal, o antigo Haras virou um bairro residencial. Registrei a casa como uma pousada – A opção seria um museu, mas o povo nem se lembra mais dos tempos áureos do Haras, e vamos e venhamos, museu não dá dinheiro. Registrei a pousada na prefeitura, consegui meu alvará. Agora, é esperar pela clientela.”


E Sal colocou a placa de “Temos vagas” na pousada, de tema rústico e bucólico, e ficou em sua sala – Antigamente, o quarto do dono do Haras – esperando alguém aparecer e tocar a campainha.

Esperou dois, três dias... Uma semana... E nada. Sal teve a impressão de que tinha entrado numa fria, e já tava pensando em revender a casa para reaver o dinheiro da faculdade. Perguntando ao vento por que ninguém visitava sua pousada, um homem perguntou:

(Homem)—Quanto tempo você ficou fazendo propaganda?

(Sal)—Pro... Propaganda?

(Homem)—Sim, propaganda! Sabe, soltar panfletos, anunciar na rádio... Garoto, não tem nem placa, eu nem sabia que isso aí tinha virado uma pousada!

Sal leva as mãos à cara, percebendo a burrada. Tratou de negociar uma placa de madeira com uma empresa de jato de areia, acabando com a reserva de emergência que ele tinha. Mas, três dias depois, lá estava a placa, bonita, em estilo country, escrito “Pousada do Haras”. Alguns cartazes e panfletos foram espalhados pela cidade, em especial nas estações e nos postos de entrada da cidade.

Outra semana... E nada. Sal estava decidido: Iria fechar as portas da Pousada e venderia o prédio. Porém, nesse mesmo dia, uma figura vestida de modo estranho adentrou a pousada. Sal não demorou a perceber que era uma das tais ooza que ele tanto ouvia falar, mas só tinha visto pela TV. A ooza em questão, ironicamente, é uma equina.

(Equina)—Com licença, você é o Sr. Haras?

(Sal)—Sr... “Haras”?

(Equina)—Sim, esta é a Pousada do Haras, então presumi que você fosse o Sr. Haras.

Uma estrutura parecida com um par de óculos protegia seus olhos, um lenço cobria sua cabeça e adornava o pescoço, uma blusa de retalhos e uma saia comprida violeta cobriam seu corpo e um par de mocassins vermelhos protegia seus pés.

(Sal)—Meu nome é Sal, e eu sou o dono da Pousada do Haras.

(Equina)—Então... O que é esse tal de “Haras”?

(Sal)—Aqui, antigamente, era um haras... Uma fazenda onde se criava cavalos de raça. A propósito, veio ocupar um quarto?

(Equina)—Bom, se estou aqui, acho que sim. Meu nome é Zanmera Tangmus, e sou jornalista.

(Sal)—Zanmera... Bom, você teve sorte, eu estava para fechar a Pousada por falta de clientes... Por favor, assine o livro de registro, então.

Zanmera assina, em uma escrita incompreensível para o humano. Sal apresenta os quartos, e seus respectivos preços, e Zanmera fica com o quarto mais simples (E mais barato). Sua intenção, diz ela, é fazer uma reportagem para o jornal de onde ela mora sobre o modo de vida dos suywan em sua terra natal.

(Sal)—“Suywan”?

(Zanmera)—É o nome que os ooza dão a vocês. Ao pé da letra, significa “Primata Estranho”. Esta cidade não tem muitos de nós, certo?

(Sal)—Ter, tem alguns, mas nunca fui muito de falar com eles. Tipo, você, é a primeira de vocês com quem converso assim, cara a cara.

A equina sorri, meio sem jeito. Desconversa com outro assunto.

(Zanmera)—Bom, eu estou morrendo de fome! O que temos para comer?

(Sal)—Comer...?

O humano corre até a geladeira. Abre-a. Só tem derivados de carne, queijo e algumas frutas isoladas. Correndo, pede para Zanmera esperar e zarpa até a quitanda mais próxima.

(Sal)—Seo Mukalla, o que tem de verdura ou qualquer outra coisa verde aí?...

(Seo Mukalla)—Ué, você nunca compra verdura aqui, o que houve?

(Sal)—Tenho uma cliente que está com fome, e ela é tipo, uma égua...

(Seo Mukalla)—Peraí, rapaz! Uma égua, você disse... Tá dizendo uma daqueles ooza?

(Sal)—Isso, isso mesmo.

(Seo Mukalla)—Não é isso que eles costumam comer. Pera um pouco que já trago...

O libanês foi até os fundos da quitanda e voltou com um maço de... CAPIM!

(Sal)—Peraê, seo Mukalla, isso aí é capim!!!

(Seo Mukalla)—Vai por mim, rapaz!

Resignado, Sal acerta o preço com seo Mukalla e volta para a Pousada. Zanmera nota o capim em suas mãos e o toma de Sal.

(Zanmera)—Deixa que eu preparo. Nós, os Heïn, temos nossos... Truques.

Meia hora depois, Zanmera estava pondo capim em sua tigela, enquanto Sal tinha feito um miojo – Não tinha nada pronto.

(Sal)—Hum... Pretende ficar aqui por quanto tempo?

(Zanmera)—Não se preocupe com isso, eu tenho o bastante para, pelo menos, dois meses ou três. Aceita Rayts, né?

(Sal)—O que são “Rayts”?

Zanmera mostra as notas de Rayts, moeda de Tabax. Sal explicou que ela devia ter feito a troca no Funtoporto, pois ninguém nesta cidade aceita dinheiro de Tabax.

(Zanmera)—Então... Eu... Tô dura. Não tem nem um banco aqui perto?

(Sal)—Ter, tem. Mas eles não fazem câmbio com moeda de Tabax.

Chateada ao extremo, Zanmera junta suas coisas, pronta para ir embora, sem dizer uma palavra. Na saída da Pousada, contudo, é segura no ombro pelo humano.

(Sal)—Ei... Você pode dormir aqui hoje. Amanhã eu te ajudo com esse problema da grana.

(Zanmera)—Tem... Tem certeza?

(Sal)—Claro, afinal... Você é minha primeira hóspede!

Sem saber o que dizer, a equina abraça forte o humano e volta, contente, para seu quarto. Já é alta noite. Sal fecha a porta da Pousada.

Amanhã é outro dia...

Próximo capítulo: O Monstro
Editado pela última vez por Snowmeow em Dom 10 Mar, 2013 10:47 am, num total de 1 vezes
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Jibaku-san em Dom 10 Fev, 2013 7:32 pm

Você tem uma coisa com equinos Snow... Eu já percebi isso...


Muito bom... quero ler o resto...
ImagemImagemImagemImagemImagem
Avatar de usuário
Jibaku-san
Guru
 
Mensagens: 2766
Data de registro: Dom 16 Ago, 2009 12:47 pm
Localização: Rio de Janeiro, capital, Bento Ribeiro [continua no meio do nada]

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Dom 10 Fev, 2013 9:07 pm

Jibaku-san escreveu:Você tem uma coisa com equinos Snow... Eu já percebi isso...

De fato, eu notei isso. E foi justamente por causa dessa minha "coisa" por equinas que eu comecei essa nova estória. É só pra esculachar mesmo. {cat:lol}
Não é só em Fur And Skin, tem muita estória (Muitas delas inacabadas) nas quais eu jogo equinas como par romântico de humanos, em vários universos. Poucas foram as exceções, como égua + gato (Gato escaldado), humano + raposa (Os Peludos de Chann'dar, Hugo Humano, Pêlos na Boca), casal de humanos com cauda (Cauda), cachorro + humana (Otto & Kim), casal de macacos (Um macaco chamado Mah Caco), coelha + gato (5º Departamento Corretivo), égua + lobo (Amor e Patadas).
Mas, pra se ter uma ideia, estou escrevendo outro pequeno romance de - Adivinhe - Humano e equina, que pretendo lançar assim que estiver um pouco desenvolvido. Por enquanto só posso dizer que a equina tem 23 anos, mas possui 1,30m, e seu apelido é "Bucky".

Ah, a propósito: Já leu o final de Taolorazuna? Comenta lá, o que achou? {cat:D}
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Jibaku-san em Dom 10 Fev, 2013 9:55 pm

Olha... Nem sei... Meu dentista me que se eu apertar meu dentes daquele jeito de novo, vou ter que usar próteses dentárias...

Você me garante que o Kramsum não vai estar tão odiento?
ImagemImagemImagemImagemImagem
Avatar de usuário
Jibaku-san
Guru
 
Mensagens: 2766
Data de registro: Dom 16 Ago, 2009 12:47 pm
Localização: Rio de Janeiro, capital, Bento Ribeiro [continua no meio do nada]

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Dom 10 Fev, 2013 11:03 pm

Só te garanto que você vai gostar do que vai acontecer com ele. {cat:p}
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Carson em Qua 13 Fev, 2013 5:59 pm

Muito bacana Snow !!! Próximo capítulo \o/
"Carson , o Leão Branco sem juba "
Avatar de usuário
Carson
Militante
 
Mensagens: 438
Data de registro: Qui 01 Nov, 2012 7:50 pm

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Sáb 16 Fev, 2013 10:40 am

O Monstro

Zanmera acordou cedo, com Sal lavando a louça de ontem. Não há funcionários, e ele tem que fazer tudo sozinho – Outro detalhe no qual Sal não tinha pensado.

Por sorte, a louça era pouca, afinal, só haviam eles dois lá.

(Zanmera)—Er... Obrigada por me deixar ficar esta noite. Tenho que admitir, sou meio distraída, e me esqueci de fazer a troca no Autam-dea.

(Sal)—Sem crise. Se você quiser, eu posso fazer a troca pra você, conheço uma instituição que mexe com câmbio.

(Zanmera)—Você pode fazer isso?...

(Sal)—Posso, mas você tem que confiar em mim.

Meio relutante, a égua passa seus 1.075 Rayts para as mãos do humano. Sal pede para ela tomar conta da Pousada, dando algumas instruções básicas, como os preços dos quartos, a localização dos itens necessários e os números de telefone que podem ser úteis. Zanmera achou interessante essa “imersão” na cultura humana, e topou a tarefa.

Sal pegou um coletivo até o centro da cidade, onde ele conhece um cambista. Enquanto isso, Zanmera passou a cuidar da Pousada do Haras. Sua visão estranha tantas estatuetas de cavalos e de cabeças de cavalos, ferraduras, e outros apetrechos. Um velho álbum estava sobre a mesa da recepção. Zanmera folheou aquelas páginas que mostravam o passado do Haras. Belos exemplares de cavalos, éguas e potros, todos com porte elegante, alguns com suywan em cima deles, saltando obstáculos ou com tacos estranhos em mãos.

Enquanto isso, em uma caverna perto dali... Mas não na mesma frequência... Uma potranca jovem, sorridente, está explorando uma caverna junto com seu namorado e mais um grupo de amigos. Seu nome: Ariadne Assunção Prado. Ariadne vê uma luz estranha em uma entrada à direita do caminho onde ela está, e resolve ir atrás dessa luz, sem avisar seus colegas ou seu namorado. Ao entrar nesse lugar, ela percebe um nevoeiro estranho, e uma onda de frio, como se estivesse chovendo.

Ariadne avança, ouvindo seu namorado chamá-la, pedindo pra voltar. Mais dois passos, e as vozes cessam. Rapidamente, o nevoeiro dissipa, e ela percebe que a fonte da luz é uma saída para o ar livre. A potranca sai, sem se dar conta de que alguma coisa terrível havia acontecido.

Do lado de fora, um perfume estranho no ar. Pássaros de um colorido diferente. O grito de uma arara assusta Ariadne, e ela estranha a cor do animal, nunca tinha visto uma arara vermelha! Ela resolve voltar para chamar teu namorado para ver o pássaro diferente...

Mas dá de cara com uma parede de pedra.

Ariadne se indaga sobre o que aconteceu, tenta empurrar a parede, bate nela, chega a dar coices, mas nada acontece. Chama desesperadamente pelo seu namorado e pelos seus colegas, mas não obtém resposta. Olhando para onde está a arara, Ariadne vê uma trilha. Resolve andar por ela. Observa alguns animais que nunca tinha visto na vida, enquanto outros pareciam bem comuns.

A trilha leva à saída de um bosque, e Ariadne ouve sons de civilização. Um quintal chama a atenção da potranca, que corre até o lugar, pedindo ajuda.

Zanmera ouve uns gritos de ajuda emanando do quintal dos fundos, e vai averiguar. Vê uma jovem equina, exausta e assustada, com os olhos arregalados e marejando lágrimas, cambaleando entre as estátuas de cavalos.

(Zanmera)—O que houve, garota?

(Ariadne)—Graças a Deus, achei alguém!!! Eu... Eu me perdi!

(Zanmera)—Se perdeu?... De onde?

(Ariadne)—Eu estava explorando uma caverna, quando eu vi uma ave estranha, de cor vermelho berrante, e quando olhei pra trás, a caverna de onde eu saí... Sumiu!

(Zanmera)—Um tanto estranho... Não existem cavernas por aqui. A mais próxima deve ficar no Rio de Janeiro.

(Ariadne)—É, era onde eu estava!... Peraí, se aqui não é o Rio de Janeiro... Onde eu estou?...

(Zanmera)—Cerro Azul, estado de São Paulo.

(Ariadne)—S... S-São... São P-Paulo?...

(Zanmera)—Olha, você deve estar muito assustada, vamos tomar um chá, não faz bem a Heïn jovens como você ficar com essa aflição.

(Ariadne)—O... O que você disse?

(Zanmera)—Vamos tomar um chá.

(Ariadne)—Não, depois disso!

(Zanmera)—Não faz bem a Heïn jovens como você ficar com essa aflição.

(Ariadne)—He... Heín? Você é estrangeira?

(Zanmera)—Bem, aqui, sou sim. Entra...

Ariadne, um pouco aliviada, entra no lugar. Ela tem tido pesadelos frequentes de se perder em lugares sombrios e cheios de monstros. O lugar onde ela estava, pelo menos, era mais aconchegante que sombrio. O chá quente é servido, e alguns goles depois ela já está mais calma.

(Zanmera)—Então, está melhor?

(Ariadne)—Sim, estou. Obrigada. Teu nome é...?

(Zanmera)—Zanmera Tangmus.

(Ariadne)—Nossa, deve ser estrangeira mesmo... Nunca ouvi um nome assim!

(Zanmera)—Como assim?...

(Ariadne)—Ah, sim! Meu nome é Ariadne Assunção Prado, natural de São João de Meriti, Rio de Janeiro

(Zanmera)—Estou surpresa de ver um nome suywan em uma ooza. E você nem tem traços suywan...

(Ariadne)—Ôu, volta a fita!... Calma que eu sou meio lerda nisso aí... Suywan, Uza, essas palavras são de que idioma?

(Zanmera)—Than Terousha Sae Toukan?

(Ariadne)—Hã? No, I don’t speak English.

Zanmera fica estranhada. Uma ooza equina que não sabe nada sobre a cultura de Tabax?

(Ariadne)—De onde você é, afinal?

(Zanmera)— Jinigai, Terstman, Rippata Norte, Continente Ocidental... Tabax.

(Ariadne)—Não, pera... NÃO, PERAÊ!!! VOCÊ É UMA EXTRATERRESTRE?

(Zanmera)—Não nasci na Terra. E você também não.

(Ariadne)—Como assim, dona?!? Eu sou nascida aqui no Brasil, criada em uma família, de cavalos muito bem criados, todos moramos no Rio desde os tempos da Independência! Como tem a pachorra de me dizer que é uma ET, e de que EU sou uma ET? E cadê tua nave?

De repente, Ariadne olha para os pés de Zanmera, que são pés mais plantígrados, enquanto que Ariadne possui cascos bem visíveis.

(Ariadne)—Er... O que houve com teus cascos?

(Zanmera)—Não nasci com eles, simples. Em vez disso, tenho pés mais delicados e bonitos. Olha, eu não sei de famílias ooza aqui na Terra, vou ter que pesquisar, mas é muito estranho você ser quem você é e não saber nada de Tabax.

(Ariadne)—Estranho por quê?

Nisso, Sal chega, com um maço de dinheiro na mão.

(Sal)—Zanmera, você não vai acreditar!...

(Zanmera)—É você, Salomão?

A potranca corre para ver Sal, mas quando o vê, é tomada por um surto de horror!

(Sal)—Quem é v--

(Ariadne)—AAAAAAIEEEEEEEE!!!! UM MONSTRO!!! UM MONSTRO HORRÍVEL E SEM PÊLOS!!!

Sal é bombardeado por objetos diversos que Ariadne arremessa contra “o Monstro”, até que Zanmera consegue contê-la

(Ariadne)—ME SOLTA!!! ESSE MONSTRO QUER ME PEGAR!!!

(Zanmera)—Você nunca viu um suywan na tua vida?!?

(Ariadne)—Me solta, ME SOLTA, ME SOLTAAAAA!!!

Irritado, Sal agarra forte o focinho de Ariadne, exigindo respostas.

(Sal)—De que buraco de Tabax você veio, hein, sua louca?

(Ariadne)—Pára... Pára de falar que eu sou de Tabax... Eu... (Chuif) Eu não sou de Tabax... Eu... Eu não sei quem é você... Mas não... Não me machuque... Pelo amor de Deus...

Estranhado, Sal solta o focinho de Ariadne.

(Zanmera)—Ela vive falando que não é de Tabax, que tem uma família de equinos morando no Rio de Janeiro desde a Independência, e achou que eu era uma estrangeira...

(Sal)—Se ela fosse uma ooza de Tabax, ela teria invocado o nome d’O Grande, mas ela falou “Pelo amor de Deus”... Quem é você, e de onde você veio?

(Zanmera)—O nome dela é Ariadne, e disse que estava no Rio de Janeiro explorando uma caverna, quando de repente, parou misteriosamente a 500 metros do quintal dos fundos, onde só há uma parede de pedra.

(Sal)—Ariadne? Esse é um nome humano!

(Ariadne)—O... (Chuif) O que é um... “Humano”?

(Sal)—Tipo, eu aqui. Nunca viu um humano na vida?

(Zanmera)—Nós os chamamos de suywan, tem certeza que nunca viu um deles?

Ariadne meneia negativamente a cabeça, parecendo estar totalmente confusa.

(Sal)—Uma caverna, você disse... Será que ela passou por um Funto e acabou aqui sem querer?

(Zanmera)—Mas Funtos não dão apenas em cavernas? E outra, que lugar da Terra possui uma comunidade ooza antes do registro dos primeiros contatos com os suywan? Ao que eu me lembre, a Terra é exclusivamente povoada por suywan como você.

Ariadne se levanta. Liga a TV. Senta-se no sofá. A cada cena de humanos, chora, perguntando-se onde é que foi parar.

(Sal)—Zanmera... Vá lá confortar a coitada.

(Zanmera)—Por que você não vai?

(Sal)—Tua cara equina é mais familiar pra ela do que a minha cara humana. Ah, sim, aqui está o teu dinheiro, convertido.

O humano entrega pra ela R$ 10.750. Devido ao Rayt estar lastreado no decigrama do ouro, e o grama do ouro estar fixado em R$ 100, cada Rayt vale dez Reais.

(Zanmera)—Er... Quer, te pago agora.

(Sal)—Depois a gente vê isso. Vá lá.

Cuidadosamente, com toda a calma do mundo, Zanmera senta-se ao lado da jovem equina, que não para de chorar. Seu instinto maternal fá-la abraçar Ariadne, que continua chorando, pedindo por ajuda, querendo saber onde foi parar. Acaba dormindo, recostada no peito de Zanmera.

Anoitece, e Zanmera, a pedido de Sal, carrega a jovem até um quarto vizinho ao dela. O sono domina a todos, e Sal resolve fechar a pousada para ir dormir.

Amanhã é outro dia...

Próximo capítulo: A Policial Fugitiva

Seção de Fichas Técnicas escreveu:Zanmera Tangmus
Raça: Ooza Heïn [Tabaxanthropus Equus]
Origem: Jinigai, Terstman, Rippata Norte, Tabax
Profissão: Jornalista
Altura/Peso/Idade aparente: 1,78m/80Kg/35 anos
Personalidade: Equilibrada, racionalista, sangue-frio, cética
Peculiaridade: Acha que as outras hóspedes são loucas ou perturbadas
Resumo: Zanmera saiu de Tabax para escrever sobre lugares, hábitos e costumes do planeta Terra e dos Humanos. Escolheu a Pousada do Haras como base porque era o lugar mais em conta. Só não sabia que tinha que dividir a pousada com outras criaturas tão parecidas com ela, mas ao mesmo tempo, tão diferentes...

Ariadne Assunção Prado
Raça:
Equina [Equus Sapiens]
Origem: São João de Meriti, Rio de Janeiro, Brasil, Terra (?)
Profissão: Estudante (Direito), e babá nas horas vagas
Altura/Peso/Idade aparente: 1,75m/60Kg/21 anos
Personalidade: Retraída, medrosa, faladora, insegura
Peculiaridade: Ama gatos (gatos animais, mesmo, não os ooza); linha temporal diferente
Resumo: Ariadne estava em férias semestrais e foi explorar uma caverna perto de sua cidade natal. Subitamente, a caverna criou uma espécie de nevoeiro e, quando ela conseguiu sair, estava perdida. Resolveu procurar um lugar onde passar a noite, e achou a Pousada do Haras, sendo recebida por Zanmera. Na “Terra” dela, humanos não existem, e Salomão é, para ela, como um monstro. Agora, Ariadne terá que conviver com as outras hóspedes, tão ou mais esquisitas que ela, ilhada nesta “Terra de Monstros”, alimentando a esperança de voltar para sua casa.
Curiosidade: Ariadne é personagem secundária de "Gato Escaldado". Na estória, ela tinha 12 anos de idade.
Editado pela última vez por Snowmeow em Dom 10 Mar, 2013 10:47 am, num total de 1 vezes
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Jibaku-san em Sáb 16 Fev, 2013 4:16 pm

Poutz Meow... Tu recicla mais personagens do que o Eiichiro Oda(entendedores entenderão)...

Agora que eu já estava quase desatando o "nó" que Tabax fez no meu pobre cérebro, você me vem com essa que com certeza vai soldar o "nó" com mais força...

Não ouse para como fez com os contos do MLP...
ImagemImagemImagemImagemImagem
Avatar de usuário
Jibaku-san
Guru
 
Mensagens: 2766
Data de registro: Dom 16 Ago, 2009 12:47 pm
Localização: Rio de Janeiro, capital, Bento Ribeiro [continua no meio do nada]

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Sáb 16 Fev, 2013 4:44 pm

Quer as outras fichas de personagens ou vai esperar eu escrever os capítulos primeiro? {cat:D}
Jibaku-san escreveu:Poutz Meow... Tu recicla mais personagens do que o Eiichiro Oda(entendedores entenderão)...

Agora que eu já estava quase desatando o "nó" que Tabax fez no meu pobre cérebro, você me vem com essa que com certeza vai soldar o "nó" com mais força...

Costumo reciclar personagens de contos interminados ou que só fiz a sinopse e nem comecei a escrever. Reciclagem é bom, é ecológico. {cat:lol}

Jibaku-san escreveu:Não ouse para como fez com os contos do MLP...

É verdade, tinha que continuar aquelas bagaças... Mas perdi a inspiração depois do episódio no qual a Pinkie tenta alegrar um burro... {cat-bleh}
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Dom 24 Fev, 2013 2:35 am

A Policial Fugitiva

Caem as flores de ipê. E lógico, tem dois ipês no quintal dos fundos da Pousada do Haras. Havia mais, ipês de todos os tipos, todos os tamanhos, alguns eram, inclusive, centenários. Dizem as lendas que o dono do haras ordenou construir sua Casa Grande de modo que os ipês ficassem adornando o quintal, que era enorme, cinco vezes maior do que é hoje.

De tantos ipês, só sobraram aqueles dois. Os tratores passaram por cima do resto, e as motosserras terminaram o serviço. Isso foi antes de Salomão resolver cometer a loucura de abrir a Pousada do Haras.

Um ipê roxo e um ipê amarelo ladeiam o curioso toro circular, coberto de visgos que Salomão nunca tinha visto antes. Aquele toro, dizem as lendas, já estava lá antes de os primeiros missionários chegarem, centenas de anos atrás. Segundo relatos de cartas antigas, era local de peregrinação de índios. Os índios falavam de Deuses que “atravessavam a Porta dos Mundos”, e de terríveis demônios, que também surgiam naquele lugar. Os índios tinham dia e hora para visitar o lugar, sob o risco de serem capturados por esses demônios em vez de receberem as bênçãos dos Deuses.

Claro, Salomão não acreditava em nada disso. Com certeza, falaram essas fábulas ao dono do Haras para que ele comprasse as terras por um preço bem alto, impressionado pela estrutura com cara de arquitetura trintista. De uma forma ou de outra, aquilo estava lá, e precisava ser limpo. Já pensou se chega um cliente e vê flores de ipê esparramadas pelo quintal e grudadas onde quer que caíssem? Sinal de desleixo, com certeza!
Salomão recebeu sua diária de Zanmera, e esperou que Ariadne se lembrasse que estava em uma pousada, e não na casa de algum parente. Dito e feito. Ainda sonolenta, Ariadne foi tratar do pagamento.

Com Zanmera.

(Zanmera)—Er... Eu sou só uma hóspede, o dono da pousada é ele (Aponta Sal).

(Ariadne)—Entrega... (Uaaah...) lá pra ele... Eu não tenho coragem de chegar perto daquele bicho, não.

(Zanmera)—Espera um pouco, vou falar com ele...

A égua de Tabax perguntou a Sal o preço do pernoite. Dada a situação delicada de Ariadne, Sal se apiedou e resolveu cobrar uma taxa simbólica de R$ 10.

Logo depois, Zanmera aparece com uma nota de R$ 10 dada por Ariadne. Sal estranha, e muito.

(Sal)—Mas... Mas que raios é isto?

De longe, Ariadne responde prontamente.

(Ariadne)—Dez reais, como havia me pedido.

Só que uma nota de R$ 10 da Terra de Ariadne possui algumas diferenças, por exemplo, a Efígie da República com cara de onça.

(Sal)—Essa cara de onça não será aceita em nenhum lugar!

(Ariadne)—HEIN?!?

Pra evitar mais rebuliço, Zamnera age rápido, e entrega R$ 10 para Sal.

(Zanmera)—Por favor, vamos dispensar logo essa doida! Olha, taqui o valor simbólico, e me dá esta nota estranha. Certo?

(Sal)—Mas... Se ESTE é o dinheiro dela, ela com certeza vai arranjar problemas por aí! Não posso deixar isso acontecer!

(Zanmera)—Sal... Você acredita mesmo que ela tenha vindo de uma “Terra alternativa” onde os suywan não existem? Pra mim, ela bateu a cabeça, e bem forte, no paredão de pedra que fica naquele descampado de onde ela veio, e começou a delirar na maionese.

(Sal)—Vai por mim... Se ela bateu a cabeça, é meu dever cuidar dela até ela estar restabelecida. Agora, é bem estranho ela ter feito essa nota com cara de bicho no lugar da Efígie da República.

(Zanmera)—Se você for cuidar dela, é um quarto a menos para ocupar.

(Sal)—Eu sei...

(Zanmera)—A menos que queira que ela durma no TEU quarto...

(Sal)—Eu se... HEIN?!?

(Zanmera)—Safadinho, pensa que eu não vi você secando o corpo da potra com os olhos... Olha, aproveitar-se de seres em estado de vulnerabilidade é crime, viu?

(Sal)—Zanmera... Tá boa a maionese? Me deixe falar com ela...

Cinco passos, e Sal é agarrado forte pelos ombros.

(Zanmera)—Se esqueceu? Ela vê em você (E em qualquer suywan) um monstro. Me fala o que você quer dela que eu vou lá e peço.

(Sal)—Eu quero que ela fique aqui, e ela precisa se manter ocupada... AH, já sei! Lá no almoxarifado...

E Sal dá a Zanmera as informações a respeito da tarefa a cumprir por parte de Ariadne.

(Zanmera)—...E por isso, você vai ter que passar uns tempos aqui, e vai ter que ajudar na limpeza para poder se pagar.

(Ariadne)—C... Como assim, “me pagar”? E o meu dinheiro? Eu tenho dinheiro comigo!

(Zanmera)—Não sei se você percebeu, mas o teu dinheiro é diferente do dinheiro deste mundo. Precisei tirar do meu pra pagar o valor simbólico da tua estada.

A jornalista mostra à jovem potranca umas notas de reais. Com a Efígie da República igual aos rostos monstruosos que ela viu na TV. Num misto de irritação e frustração, Ariadne xinga Deus e o mundo, até se acalmar, graças a mais um copo de chá de camomila preparado prontamente por Zanmera.

(Ariadne)—Não acredito, não acredito que realmente não posso sair daqui!

(Zanmera)—Poder, pode, mas vai dar de cara com uma multidão de monstros iguaizinhos ao Salomão, e teu dinheiro não valerá nada por aqui. Até que descubramos um modo de te levar de volta para a tua “Terra”, você vai ter que ficar conosco. Pode começar limpando o quintal, as flores de ipê estão caindo e emporcalhando tudo.

Ariadne toma o rastelo das mãos de Zanmera e, cabisbaixa vai até o quintal dos fundos, onde algumas estátuas e o misterioso toro de metal decoram o relvado ralo. O ipê roxo e o ipê amarelo deixam suas flores caírem por todo o quintal. Suspirando, Ariadne começa a varrer as flores caídas.

Muito, muito longe dali... Uma perseguição acontece. Uma policial montada sobre um pônei parcialmente armadurado galopa furiosamente, com formas vagamente humanoides correndo atrás dela. E alcançando-as, por incrível que pareça.

Estamos em Tarbanna, colônia da Terra a 35 anos-luz de distância, no ano de 3126. Um bocado pra frente. Capitã Aisha Dalla, sobre sua montaria, que desesperadamente luta para fugir daquelas estranhas criaturas.

Sua montaria não é uma montaria qualquer: 3647-HF-50, nome de guerra “Paloma”, é uma Hippomorfa. Pode assumir postura bípede devido a uma configuração genética Flip-Flop, que permite metamorfoses a partir de estimulos por carga eletropsíquica, conduzidos por seus dispositivos biométricos – A “armadura” que Paloma usa. Paloma, assim como todos os Hippomorfos, é senciente, e pode “sentir” o que sua amazona sente, levando a uma forma primitiva de sincronia de pensamentos.

Uma cadeia montanhosa, íngreme, domina o cenário. As coisas começam a ficar difíceis para Aisha e Paloma.

(Aisha)—Paloma, você está com as informações?

(Paloma)—Claro! (BRRRFFF!) Por quê?

(Aisha)—Chegamos ao local. Você deve achar o portal e se juntar aos demais integrantes do Projeto Grifo.

(Paloma)—E quanto a você?

(Aisha)—Alguém tem que mantê-los ocupados! Os semivivos estão nos alcançando! Tenho munição para pelo menos uns 10 minutos de combate...

(Paloma)—Mas... Mas...!

(Aisha)—Contorne a montanha, o portal vai aparecer como um brilho!

Paloma para, e Aisha apeia, sacando seu rifle de assalto fotônico. Paloma, a um comando mental, metamorfoseia-se para uma forma bípede de 2,05m e 120 Kg. Ela saca sua pistola, disposta por instinto a defender sua companheira de batalhas.

(Aisha)—NÃO, PALOMA! Retorne à forma de monta e GALOPE!

(Paloma)—Eu não vou deixar que eles te peguem!

(Aisha)—Paloma, as informações estão com você. Se me pegarem, vou ficar alguns anos presa, mas se TE pegarem, você sabe o que vai acontecer... Você sabe o porquê do Projeto Grifo ter que desaparecer de Tarbanna. Eles querem destruir TODOS os Hippomorfos...

(Paloma)—Mas...

(Aisha)—Com sorte, você achará Marina e Marcus, eles levarão tuas informações até o Dr. Gezeit, e ele saberá o que fazer. Agora vá!... VÁ!!! É UMA ORDEM!!!

Um tiro fotônico atinge uma pedra perto de onde as duas estão.

(Paloma)—Sim... Senhora.

Retornando à forma quadrúpede, Paloma começa a contornar o rochedo, enquanto Aisha dispara contra os semivivos. Paloma encontra uma marca de metal encravada na pedra, mas não há nada.

Terra, 2035.

Ariadne está tirando as flores de ipê dos visgos que abraçam o toro de metal, quando de repente o cabo de seu rastelo esbarra em alguma alavanca, o que gera um barulho ensurdecedor e faz tremer todo o quintal. Gritando, assustada, Ariadne larga tudo e corre para dentro, chamando por Zanmera.

Tarbanna, 3126.

Paloma continua contornando o paredão, e fugindo dos semivivos que a perseguem, até voltar ao mesmo ponto onde estava. Mas desta vez, ela vê um brilho. Determinada, ela salta rumo ao brilho, e sente seu corpo sendo inundado por ondas eletromagnéticas e de procedências desconhecidas. Perde a sensação de gravidade por alguns segundos, e uma onda de frio intenso toma conta de seu corpo, até sentir um puxão na altura da cabeça, como se a gravidade tivesse ido pra frente.

Terra, 2035.

Zanmera e Salomão observam o toro, os visgos todos carbonizados, e uma luz brilhando no lado de dentro do aro. Relâmpagos minúsculos começam a percorrer todo o aro. Uma onda de frio invade o quintal. A curiosidade de Sal o impele a chegar mais perto. De repente, um grito... E uma pônei de 120 Kg cai sobre o humano, ao mesmo tempo em que o brilho desaparece.

Tarbanna, 3126.

(Coronel)—Relatório.

(Tenente)—Capturamos a policial dissidente, Aisha Dalla. Mas perdemos cinco semivivos no processo.

(Coronel)—E quanto à Hippomorfa 3647-HF-50?

(Tenente)—Uma misteriosa passagem de luz engolfou o alvo, e sua radiação incapacitou três dos cinco semivivos perdidos. Assim que o alvo passou por essa passagem, a luz desapareceu.

(Coronel)—Pilotos dos semivivos perdidos: Para o treinamento e reciclagem, AGORA! Escrivão, relate a perda de cinco semivivos. Demais pilotos, tragam a dissidente para cá. Temos perguntas para ela...

Terra, 2035.

(Paloma)—Ungh... Onde... Onde raios eu estou?...

(Sal)—Tá... Tá em cima de mim, saidecimademimquenãotôaguentandoteupeso!!!

Paloma cai em si e se levanta imediatamente. Zanmera e Ariadne se espantam de ver um animal quadrúpede estar falando. Sal se levanta, atordoado pelo encontrão inesperado.

(Sal)—Quem é você?...

(Paloma)—Espera um pouco, preciso fazer a checagem dos biométricos. Testando sistemas...

As partes protegidas por armadura se abrem de todos os jeitos possíveis, mostrando diversos dispositivos e luzes. Logo após, uma pequena descarga eletropsíquica faz Paloma assumir a forma rompante e, enquanto isso, suas patas anteriores se transformam em braços, seus ossos se rearranjam, seu busto aparece e sua coluna se reconfigura, ao mesmo passo em que os ossos de seus cascos dianteiros se rearranjam, revelando mãos onde antes não havia.

(Paloma)—Hippomorfa 3647-HF-50 da Oitava Polícia Montada de Enta. Pode me chamar por “Paloma”.

As outras equinas ficam chocadas com a metamorfose.

(Ariadne)—Isso... Foi... Bizarro!

(Zanmera)—Concordo.

(Sal)—Bom, meu nome é Salomão, mas pode me chamar por Sal.

(Paloma)—Certo, pode me dizer onde eu estou, precisamente?

(Sal)—Cerro Azul, estado de São Paulo, Brasil, Planeta Terra. Mais algo?

(Paloma)—“Terra”? Pelo Gene Primordial... Fui parar bem longe, hein?

Subitamente, a Hippomorfa olha para Zanmera e Ariadne.

(Paloma)—Ora!... Duas Hippomorfas dando uma de chiques! Devo estar perto do Dr. Gezeit!

(Zanmera)—Com licença, grandalhona... Hippomorfa é a pu--

(Sal)—CAHAM-CAHAM!!!

Zanmera olha feio para Sal, mas diante de uma situação estranha como aquela, ela devia mesmo ser mais comedida.

(Paloma)—Por que está com esses trapos de humana? E onde estão teus biométricos? Qual é o teu número de série?

(Zanmera)—Bi... Biométricos? Número de série? Senhora, acho que você está me confundindo com outra classe de equina... Meu nome é Zanmera Tangmus, sou uma ooza de Tabax, e como jornalista, EU quero saber quem – ou o que – você é.

A hippomorfa volta-se para Sal.

(Paloma)—Você... Não conhece... Criaturas como... Eu?

(Sal)—Você apareceu do nada, desse portal estranho. Caiu em cima de mim. Transformou-se de uma égua de monta para uma forma bípede. Com certeza, dona, nunca vi criaturas como você.

(Paloma)—Venho de Tarbanna, uma das colônias da Terra, situada a 35 anos-luz daqui.

(Sal)—Colônia da Terra? Como, se nunca ouvi falar disso? Até agora, ano de 2035, não nos falaram nada.

(Paloma)—Espera... Em que ano estamos?

(Sal)—2035, calendário Gregoriano.

Paloma começa a respirar acelerado. Zanmera acha que ela vai cair e tenta ampará-la, mas Paloma se desvia dela. Chacoalhando a cabeça, Paloma tenta não acreditar no que aconteceu.

Paloma descobriu que viajou não só pelo Espaço, mas também pelo tempo. Senta-se, visivelmente abalada, na escadinha da porta dos fundos. Levando as mãos à cabeça, Paloma só consegue falar uma frase:

(Paloma)—Fudeu...

Duas horas depois...

(Sal)—Zanmera, como está a nossa... Nova hóspede?

(Zanmera)—Ainda sentada na escadinha, na mesma posição, sem soltar uma palavra que seja.

(Sal)—Pede pra Ariadne levar algo pra ela, uma maçã, por exemplo...

A jovem potra, ainda espantada com Paloma, caminha receosa em direção a ela, maçã em mãos.

(Ariadne)—Deve estar com fome... Quer?

Paloma meneia a cabeça negativamente, e saca de seu alforje preso a seu corpo um tablete verde-acastanhado, parecendo rapadura. Dá uma mordida discreta e mastiga sem pressa.

(Ariadne)—O que você tá comendo... Se for de meu interesse?

(Paloma)—Tsc... Ração nutricional especial para Hippomorfos. Nós nos alimentamos exclusivamente disto. É o único alimento capaz de suprir nossas necessidades nutricionais e imunológicas, além de auxiliar no controle dos biométricos. Por sorte, tenho suprimento para um ano aqui comigo. Até lá, posso já ter resolvido isto.

Zanmera aparece em seguida, com um copo de chá. Desta vez, picão.
Imagem

(Paloma)—O que é isso?

(Zanmera)—Desculpa a minha grosseria... Você nos assustou aparecendo assim, de repente, daquele portal. Você pode tomar chá, não pode?

(Paloma)—Não pense que eu não estou assustada, também. Zanmera é o teu nome, não?

(Zanmera)—Sim. E a garota da maçã se chama--

(Paloma)—Ariadne Prado.

(Zanmera)—Como...?

(Paloma)—Dentre várias funções, além de me transformar para a forma bípede e esconder armas, os meus biométricos me permitem ler ondas cerebrais. Tipo, uma forma rudimentar de telepatia. Isso me permitiu aprender o idioma de vocês em alguns segundos. Onde está o tal Salomão?

A Hippomorfa pega o copo de chá de Zanmera, cheirando os vapores ainda quentes da bebida.

(Zanmera)—Lá dentro. Mas, eu não acho que ele possa te ajudar com o... Er... Portal.

Paloma se levanta, vagarosamente, rangendo de leve seus biométricos, andando pesadamente até a cozinha.

(Sal)—Está melhor?

(Paloma)—Na verdade, não. Estou todo dolorida da correria e da travessia do portal. Falando em portal, eu acho que vou ter que ficar por aqui.

(Sal)—Eu entendo. Bom, mi casa, su casa. Claro, se puder nos ajudar a cuidar da Pousada do Haras, eu ficarei agradecido.

Bebendo o chá, Paloma desdenha.

(Paloma)—Que seja, que seja. Agora, quero dormir. Onde eu fico?

O Humano procura um quarto simples, achando um quarto de empregados com duas camas de solteiro.

(Sal)—Bom, não sei como vocês dormem, se é numa cama, ou se é no chão forrado... Se precisar de mim, estou às ordens.

Paloma deitou na cama e adormeceu rápido. Nem era meio-dia ainda. Foi acordar já eram nove horas da noite, e tanto Sal quanto Ariadne e Zanmera já tinham jantado. Pegou seu alforje e tirou o tablete do qual se alimenta, mordiscando mais um pedaço e bebendo o chá frio que tinha sobrado. Seguindo os sons estranhos a ela, chegou até a sala da gerência, onde Sal assistia TV, despreocupado. Zanmera estava no outro sofá, fazendo mais algumas anotações, e Ariadne já tinha ido dormir.

(Paloma)—Hei... Sal, né?

(Sal)—Fala.

(Paloma)—Onde posso me exercitar?

(Sal)—Bom, tem uma sala seguindo reto pela direita, onde eu coloquei meus velhos apetrechos de academia, para o caso de algum cliente precisar malhar.

(Paloma)—Certo...

A Hippomorfa chegou até a sala apontada por Sal. Alguns equipamentos de exercício, uma bancada de supino, um espelho enorme disposto na parece, uma esteira no canto, ao lado dela uma bicicleta ergométrica, ambas precisando de alguns reparos... E, no canto posto ao do espelho, um enorme saco de areia.

E, enquanto Sal e Zanmera foram dormir, Paloma passou a noite inteira descarregando sua frustração no saco de areia.

Amanhã é outro dia...

Próximo capítulo: Ah, que mãos!
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Jibaku-san em Dom 24 Fev, 2013 1:08 pm

Realmente é um haras... Só tem cavalo, ou melhor, égua...

Demais Snow... Complexidade, a gente vê por aqui!
ImagemImagemImagemImagemImagem
Avatar de usuário
Jibaku-san
Guru
 
Mensagens: 2766
Data de registro: Dom 16 Ago, 2009 12:47 pm
Localização: Rio de Janeiro, capital, Bento Ribeiro [continua no meio do nada]

Re: Nova estória... Haras Hostel!

Mensagempor Snowmeow em Seg 25 Fev, 2013 6:07 pm

Ah, que mãos!

Sal acorda ouvindo um barulho estranho. Olha o despertador, ainda são seis da manhã. O sono já foi embora, então Sal vai investigar. Percorrendo o corredor do térreo, percebe uma luz acesa, e nota que é de lá que vem o barulho estranho.

(Sal)—Vem da academia... Será que...?

Pé ante pé, para não acordar as outras que ainda dormem, Sal vai até a academia. Ao chegar lá, uma forma equina antropomórfica musculosa, coberta com um tipo de armadura, continua socando e chutando o saco de areia sem piedade.

(Sal)—Paloma?

A Hippomorfa dá uma pausa na sessão de pancadaria, abraçando o saco de areia, visivelmente exausta.

(Sal)—Pelo menos me diga que você começou isso agora, ou pelo menos, que não passou a madrugada inteira nesse saco de areia!

Paloma bufa de raiva, não sabendo o que dizer. Seu cansaço fala mais alto, e ela acaba se ajoelhando de cansaço, ainda abraçada ao saco de areia. Ela vira o rosto pro lado oposto ao de Sal.

(Sal)—Você... Está...

(Paloma)—N-não me olhe assim! Eu... Eu não sou fraca! Eu não... Eu não posso ser fraca! Mesmo tendo falhado em minha missão, eu preciso ser... Forte...

(Sal)—Ei... Não precisa ficar assim. Não sei que missão era essa, mas não precisa se castigar por isso.

O humano ia pôr sua mão direita sobre o ombro de Paloma, quando ela avisa.

(Paloma)—Não me toque.

(Sal)—Eu... Eu não estava--

(Paloma)—Estava, sim. Tuas ondas cerebrais indicavam que você tentaria me confortar.

A Hippomorfa levanta, sacudindo seus braços e estalando seu pescoço.

(Paloma)—Eu não sou uma Marina da vida, que precisa de um humano para dar sentido em sua vida.

(Sal)—Marina? Quem é Marina?

(Paloma)—Uma longa história... Não vale a pena contar...

(Sal)—Desculpa, não quis te chatear, afinal... Achei que você precisasse de uma mão amiga. Mas, tudo bem, eu já tô acostumado com potrancas que querem distância de mim...

(Paloma)—Eu não disse isso!... Aquela jovem, pensa que você é um monstro, não é? Por quê será?

(Sal)—Segundo ela, no mundo onde ela vive, humanos não existem.

(Paloma)—Hummm... Dr. Gezeit falou algo sobre mundos paralelos, mas isso já fazem dois anos atrás... Talvez, ela venha de um deles. (*Se estica*) Hunnng, esses exercícios me deixaram quebrada!

Sal estava saindo para suas tarefas matutinas quando Paloma o chamou.

(Paloma)—Ei, Salomão! Mudei de ideia quanto a não me tocar: Preciso de uma massagem!

(Sal)—M-mas... Massagem?

(Paloma)—Que foi, nunca fizeste uma massagem antes? Que tipo de anfitrião é você, que não oferece serviços de massagem para seus hóspedes?

(Sal)—Bom, eu...

(Paloma)—Preciso relaxar meus músculos e acalmar meus nervos, e não trouxe um massagista comigo quando eu vim de Tarbanna. Se você se prontificar... Eu posso ajudar nos serviços até conseguir um meio de voltar à minha época.

Sal pensa. “Esta Pousada está mesmo precisando de mais ‘gente’ pra fazer os serviços aqui...”, cogita. No final, aceita.

Paloma caminha até um lugar que possa servir de “maca para massagens”. Acaba limpando uma mesa que estava lá porque não tinha outro lugar para coloca-la. O que Sal vê em seguida parece obra de ficção científica.

O traje de Paloma é composto de uma roupa colante, provavelmente de algum tipo de látex, de cor cinza-escuro, pendendo ao negro. Seus braços e pernas estão cobertos parcialmente por um tipo de armadura cor-de-alumínio, com detalhes negros. Uma sela decora suas costas, com alguns apêndices que Sal não conseguiu identificar. Envolvendo o traje, estruturas cor-de-alumínio em forma de patas de aranha, centradas por uma espécie de medalha vermelha na altura do Esterno. Por fim, uma espécie de tiara orna a cabeça da Hippomorfa.

Um comando mental, e todo o látex é recolhido pelas estruturas de alumínio, deixando Paloma com sua pelagem natural à mostra. Até a “sela” desapareceu, com seus apêndices. Deitando de bruços, Paloma está praticamente nua.

(Paloma)—Anda logo, humano! Se você nunca fez uma massagem, eu vou te mostrar o que fazer – E ONDE fazer.

Meio receoso, Salomão se aproxima de Paloma, pelo lado esquerdo. Começa a massagem pelos ombros.

(Paloma)—Aperta forte os ombros, forçando com os dedos, e solta, alisando com a palma da mão... Hrrrnnng... Isso...

A musculatura de Paloma é realmente forte, Sal quase não consegue fazer muita coisa nos ombros. Mesmo assim, parece que Paloma está apreciando a massagem.

(Paloma)—Hrn-hrn-hrn-hrn-hrn... Para quem nunca fez uma massagem, está indo muito bem... As costas, agora. Vai ter que subir em cima da mesa.

Por sorte, a mesa era daquelas coloniais, que aguentam até mesmo o peso de um elefante sobre elas. Sal subiu, “montando” em Paloma.

(Paloma)—Com a base das mãos, força de baixo pra cima, até estalar a coluna.

Sal fez como ela mandava, e logo se ouviam os primeiros estalos.

(Paloma)—Ah, que mãos! Salomão, você tem vocação pra massagista! Tem certeza que nunca tinha feito massagem em alguém?

(Sal)—Tenho.

E Paloma continuou dando as instruções, que Sal executava com precisão. Massageando pescoço, costas, e as partes descobertas dos braços e das pernas, Sal fazia com que Paloma se sentisse no paraíso e esquecesse suas frustrações.

(Sal)—Por que não tira essa... Armadura?

(Paloma)—Eu... Não posso.

(Sal)—Não pode? Por quê?

(Paloma)—Digamos que... Estou com elas, desde que me conheço por Hippomorfa.

(Sal)—E não incomoda?

(Paloma)—Já estou acostumada... Mas você esqueceu uma parte aí.

(Sal)—O quê?

(Paloma)—Você esqueceu os meus glúteos!

(Sal)—HEIN?...

(Paloma)—Você nunca massageou ninguém mesmo... Senão, você não teria esquecido de massagear os glúteos.

(Sal)—Bem, é que... Eu... (Gasp) achei que você fosse se incomodar...

(Paloma)—Ou você é daqueles ultrapudorados que, se tocarem em certas partes do corpo, vão acabar se sentindo... “Tentados”?

(Sal)—Como... C-como assim?

(Paloma)—Tua cara não me engana... Tá com medo de mexer nos meus glúteos porque acha que eu vou te xingar de tarado, não é? Outro Marcus Sadol na vida!...

(Sal)—Quem é Marcus Sadol?

(Paloma)—Outra longa história, que não vale a pena contar.

(Sal)—Tem algo a ver com a tal da Marina?

(Paloma)—Tem, sim. Vai, não enrola. Movimentos de baixo pra cima e de cima pra baixo nos glúteos, anda!

Mais cinco minutos e a sessão de massagens estava encerrada, para alívio de Salomão. Zanmera entra sem cerimônia, seguindo as vozes que a acordaram.

(Zanmera)—Hummm, quanta intimidade! Acho que vou incluir relações íntimas entre suywan e Heïn extraterrestres no meu documentário sobre a vida dos suywan, o que acha?

(Paloma)—Você precisa receber uma massagem deste humano, tá com cara que tá precisando!

(Zanmera)—Eeeeu? Mare! Dispenso esse nível de intimidade. Mas era “só” massagem mesmo? Não, porque você está nuazinha em pelo! E eu te ouvi gemer feito uma louca, mas sabe como é, eu não fui ver o que era porque eu não queria... “Atrapalhar”...

Outro comando mental de Paloma, e seu traje de “látex” volta a cobri-la, dados os movimentos das “pernas de aranha”, como Sal passou a chamar o dispositivo que recolhe e estende o tecido.

(Paloma)—Não confunda as coisas, “jornalista”. Tenho prazer em receber massagens, que mal há nisso? Vá me dizer que isso é tabu nesta época!

(Zanmera)—Geralmente, quando eu vou para um spa, eu recebo massagens, mas não fico gemendo como se... Como se...!

(Paloma)—Cada um reage a seu modo, moça.

Levando uma toalha, Paloma vai ao banheiro, tomar um banho. Nesse ínterim, Zanmera bombardeia Salomão com perguntas nada discretas. Salomão responde umas, se desvia de outras, e no final inventa uma desculpa sobre ir comprar comida, saindo da Pousada para não ter que responder mais perguntas.

Mal Sal sai, uma equina elegante, com pelagem branca e roupas estranhas, passa pela Pousada do Haras. Vê Ariadne varrendo o quintal da frente e Zanmera lendo uma revista na recepção. Resolve entrar, pedindo o preço dos quartos.

(Zanmera)—Temos os quartos simples, por R$ 100, e os quartos de casal, por R$ 150. E temos a Suíte, por R$ 200, a diária. Qual é o teu nome?

(Égua elegante)—Meu nome é Manuara Paryatu. Acabei de chegar de Rippata.

Zanmera presta atenção nos detalhes de Manuara. Sua crina é de um púrpura que parece que passaram Lepecid ® na crina – E também na cauda, e borrifaram óleo por cima, dado o brilho. Seus ombros tinham manchas cor-de-fogo que avançavam até o colo, e continuavam pelas costas. Seus olhos também eram de cor púrpura, o que Zanmera não achava normal.

(Manuara)—Pretendo passar um mês ou dois aqui, estou à procura do meu marido.

(Zanmera)—Ih, marido fujão, é?

(Manuara)—Na verdade, é mais complicado do que possa parecer.

(Zanmera)—Bom, sou jornalista, nenhum caso pode ser tão complicado que eu possa estranhar. Acredite, nestes últimos dias eu vi coisas que posso contar para os meus netos! Mas, voltando à contabilidade aqui... Vai ficar em qual quarto?

(Manuara)—O melhor que tiverem.

(Zanmera)—Uh...! Vejamos: Dois meses a R$200 o dia, 200 vezes 60... R$ 12 mil! Tem certeza disso?

(Manuara)—Isto paga?

E um saquinho é colocado sobre a mesa. Estranhada, Zanmera fuça no saquinho e tira uma mão cheia de... MOEDAS DE OURO!

(Zanmera)—Que o Grande me belisque, porque só pode ser um sonho!

(Manuara)—Se não bastar, tenho mais se precisar.

(Zanmera)—Mais?... ARIADNEEEEE!!! Temos nossa primeira cliente VIP: Very Important Potranca! Prepare a melhor suíte e tudo do melhor pra ela! Jájá eu te ajudo! (Para Manuara) Gostaria de um vinho, ou um lanchinho light?

(Manuara)—Uma revista de fofocas, tem?

(Zanmera)—(*Mostrando revista*) Esta chegou hoje, mas só mostra sobre as celebridades da Terra! Serve?

Logo mais, uma poltrona, mesinha com tremoços e outros paparicos estavam a disposição de Manuara. Sal chega e estranha a equina lendo revista de fofocas, sentada na poltrona, comendo tremoços, no bem-bom.

(Sal)—Zanmera, quem é essa?

(Zanmera)—Shhhh!!! (Essa é nossa mina de ouro!)

(Sal)—(Como assim?)

(Zanmera)—(Ela vai ficar dois meses na suíte mais cara, e pagou a vista, em moedas de ouro! Estou dando a ela tratamento VIP!)

(Ariadne)—(Very Important Potranca!)

(Sal)—Do modo que vão as coisas, daqui a pouco vou ser expulso daqui, só aparecem fêmeas! Não que eu reclame...

Subitamente, Paloma aparece com um tapa nas costas de Sal.

(Paloma)—AÊ, HUMANO! Valeu pela massagem, viu? Tô outra!

Abaixando a revista, Manuara olha para a turba:

(Manuara)—Tem serviço de... Massagem?

Sal engole em seco.

(Manuara)—Gostaria de saber por que não fui informada a respeito da disponibilidade desse serviço.

Sal iria explicar que nunca tinha feito uma massagem antes, e Paloma foi quem o “ensinou” o que fazer, mas Zanmera pulou na frente.

(Zanmera)—Porque é uma... Massagem íntima.

(Manuara)—Hã?

(Paloma)—(Brrrfff...) Não teve nada de íntimo na massagem que o humano me deu! Só porque eu estava nua e pedi para que ele me massageasse os glúteos, não há nada de mais nisso.

A égua branca levanta-se de sua poltrona, colocando a revista sobre ela.

(Manuara)—Pois então, me mostre onde é o lugar... Sra. Paloma.

(Paloma)—Ô! PERAÊ! Como raios você sabe o meu nome?

(Manuara)—Digamos que eu... Não sou qualquer uma.

(Zanmera)—Não é mesmo! Tem uma elegância incomum, paga em moedas de ouro e agora... Adivinha os nomes dos ooza?

(Paloma)—É por aqui... Sra. Manuara.

Sorrindo discretamente, a égua branca segue Paloma até a academia. Um estalo de guardanapo de pano “desperta” Sal, dado por Zanmera.

(Zanmera)—E você, o que está esperando?

(Sal)—CAHAM-CAHAM! Quem é o dono da Pousada do Haras, mesmo?

(Zanmera)—Quem depositou uma quantia de ouro tal que pode comprar a Pousada do Haras, mesmo? Manuara quer o cara da massagem, e Paloma falou que esse cara é você. Você não quer que ela vá embora... E leve o ouro com ela, quer?

(Sal)—Já entendi...

Desta vez, Sal foi mais prevenido, inclusive com uma loção pra dar brilho em pelagens (Roubada de Zanmera). Na academia, Manuara já estava deitada, e assim como Paloma na vez dela, estava sem roupas. Mas, ao contrário de Paloma, Manuara estava deitada sobre um colchonete estendido no chão.

(Sal)—Né possível...

(Manuara)—Vamos ver se tua massagem é boa, mesmo... Estou MUITO cansada, e preciso relaxar antes do banho.

(Sal)—Com... Com sua permissão...

(Manuara)—Toda.

(Paloma)—Vê se não esquece os glúteos dessa vez!

E Salomão começou a sessão de massagens. Mas o efeito em Manuara parecia ser mais intenso que a mesma massagem em paloma.

(Manuara)—Pela Porana Suprema!... Que mãos são essas?!? Aaaah!!! Isto é... AAAAAAHHHH!!!

No corredor, as outras duas tricotam.

(Zanmera)—Tá ouvindo esses gemidos?

(Ariadne)—Será que...?

(Zanmera)—Deve estar rolando o maior ménage-a-trois naquela academia... Eu nem vou lá, vai que eu quebro o clima da festinha!

(Ariadne)—Como podem...! O que elas devem ter visto naquele... Bicho?

(Zanmera)—Ah, larga de ser fresca, menina! Os suywan nem são tão feios assim! Eles só não têm pelos!

Na academia...

(Manuara)—AAAHH!!! Eu... Eu vou... Ah! AAH!

(Paloma)—(E ele nem chegou nos glúteos, ainda...)

Subitamente, uma luz invade o ambiente, cegando geral. Quando Paloma recupera sua visão, vê que Sal está montado sobre uma égua branca, mas quadrúpede, e com a altura de um cavalo árabe!

(Paloma)—Pelo Gene Primordial, que porra é essa?

(Manuara)—Ah... Não consegui segurar...

(Paloma)—Peraê, quer dizer que quando você tem um... Você vira isso aí?

(Manuara)—Na verdade, é uma emoção intensa que deflagra a transformação. Geralmente, ela é controlada, mas... (Brrrfff...) Mas fazia tempo que eu não sentia algo tão... Bom.

Sal desce de cima da cernelha de Manuara, ainda estranhado.

(Paloma)—Eu também sou capaz de assumir uma forma quadrúpede, mas... Eu não ganho tanta massa assim!

Nisso, Paloma dá um comando mental que ativa a configuração quadrúpede de seus genes, assumindo o tamanho de um pônei.

(Manuara)—Você fica uma gracinha nessa forma. Você não é de Tabax, pelo visto.

(Paloma)—Se eu te disser de onde sou, você não iria acreditar.

(Manuara)—Eu também não sou daqui...

Ambas retornam a suas formas bípedes.

(Manuara)—Estive em Tabax nos últimos 25 anos, mas meu local de nascimento é uma terra tão distante que só pode ser acessada pela magia dos Nobres Porans. E eu sou uma deles.

(Paloma)—Nobres Porans? Então, você é um tipo de criatura da Realeza?

(Manuara)—Sou a herdeira do meu Tathma, no mundo chamado de Klismara.

Zanmera e Ariadne chegam de sopetão.

(Ariadne)—Quer dizer que... Meu Deus... Você é uma princesa?

(Zanmera)—E uma princesa... De OUTRO MUNDO?

As duas potrancas começam a gritar, como se tivessem entrado em contato com a Rainha Kate da Inglaterra em pessoa, e correm alvoroçadas pela Pousada, sem saber o que fazer.

(Paloma)—Se é assim hoje, como será amanhã?

(Sal)—Amanhã é outro dia...

Próximo capítulo: A Princesa e a Turrona

Seção de Fichas Técnicas escreveu:3647-HF-50 “Paloma”
Raça: Hippomorfa [Equus Gryphonensis extrata-3]
Origem: Colônia Rural 4472-B, Departamento Norte-2, Enta, Tarbanna
Profissão: Ajudante policial (Polícia Montada de Enta)
Altura/Peso/Idade aparente: 2,05m/120Kg (Forma bípede)/38 anos
Personalidade: Turrona, decidida, ativa, cabeça-dura
Peculiaridade: Transforma-se em uma forma quadrúpede; linha temporal diferente; dieta especial (Blocos nutricionais especiais para Hippomorfos)
Resumo: 3126. As Unidades Hippomorfas são consideradas obsoletas pela Polícia de Enta, e para evitar espionagem, serão destruídas. Os cientistas do Projeto Grifo, cientes dessa traição, resolvem ativar um mecanismo pré-Colonização que estava sendo estudado havia anos. O mecanismo é uma espécie de “portal”, capaz de ligar diversos mundos. Com o objetivo de salvar o projeto Grifo, os Hippomorfos e os “Refugos” do “Curral”, o portal é ativado e tudo o que era ligado ao projeto – Incluindo os Hippomorfos – é levado às pressas para o Portal, incluindo Paloma, que vai parar na Terra a cerca de mais de mil anos no passado.

Manuara Paryatu
Raça: Nobre Porana [Sem nome científico conhecido]
Origem: Tathma Paryatu, Reino de Ebennar, Klismara
Profissão: Ex-informatriz, ex-Princesa do Tathma Paryatu
Altura/Peso/Idade aparente: 1,95m/75Kg (Forma bípede)/28 anos
Personalidade: Aristocrática, culta, doutrinadora, supersticiosa
Peculiaridade: Transforma-se em uma forma quadrúpede; manipula magia
Resumo: Os Porans são uma raça de cavalos imbuída de inteligência e poderes arcanos. Para interagir com os humanos e outras raças sencientes, eles se transformam, assumindo formas bípedes, inclusive para guerrear contra invasores. Manuara já esteve na Terra e em Tabax, onde trabalhou de informatriz. Largou a nobreza para viver um amor proibido com um humano, mas a “parte nobre dela” não sai de sua personalidade. Afastada de seu marido contra a vontade, ela veio à Pousada do Haras para procurar por ele, suspeitando que ele esteja na Terra.

Editado pela última vez por Snowmeow em Seg 25 Fev, 2013 11:31 pm, num total de 1 vezes
Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirá falta dela no Verão.
ImagemImagemImagemImagemImagem
Imagem
Avatar de usuário
Snowmeow
Guru
 
Mensagens: 4715
Data de registro: Seg 29 Set, 2003 4:13 pm
Localização: Penápolis - SP ...

Próximo

Retornar para Literatura Furry

Quem está online

Usuários vendo este fórum: Nenhum usuário registrado online e 3 visitantes